quarta-feira, 30 de março de 2011

RAULSEIXISMO

eu sempre entendi que raulseixismo pode ser um novo tipo de estilo musical, mas como pode ser tbm uma mistura maluca que fica beleza, porque por mais estranho que seja Raul seixas não tem só rock, ele fez axé, Baião, rap(fim do mês), samba, marchinhas de Carnaval,musica de umbanda, psicadélico e ate regue mas esses são alguns, devem ter mais vários estilos misturados que eu não me lembro.O único cantor que eu conheço que fez isso foi o Raul, o cara que juntou tudo numa coisa louca.

terça-feira, 29 de março de 2011

PARÓDIA

eu fiz uma paródia para o dia da agua pra minha escola( so Raul) abaixo o resultado.

Paródia ‘’ÁGUA PRA TOLO’’(Yago Baggio) musica’’ouro de tolo’’ (Raul Seixas)

Eu devia estar contente porque eu tenho água encanada

Sou o sujeito da classe que gasta

E troco a água da piscina uma vez por mês

Eu devia agradecer ao DAERP

Por ter água e esgotos tratados na minha residência

Eu devia estar feliz por tomar banho de banheira mais uma vez

Eu devia estar alegre e satisfeito

Por me banhar em Ipanema

Enquanto o povo da África

Esta a muito tempo vivendo em uma condição escandalosa

(ahh)Eu devia estar sorrindo e orgulhoso

Pelos momentos felizes que passei gastando água de minha VILA

Mas se essa situação continuar, daqui a pouco

Eu e você estaremos vivendo em uma condição um tanto quanto impiedosa

Eu devia estar contente por ver o povo brincando na água,

Mas confesso abestalhado que eu estou decepcionado.

Por que foi tão difícil conseguir e agora eu lhe pergunto ‘’idai?’’

Eu tenho uma opção de maneiras diferentes de salvar o mundo

E eu não posso ficar aqui parado.

Eu devia estar feliz pelo senhor ter me concedido

O sábado para ir com meu filho pro quintal

Gastar água lavando o carro

Ahh mais que pensamento ecológico o meu

Que não aceita gastar água com carro,chuveiro,piscina,quintal e torneira

Eu acho tudo isso desnecessário.

É você se olhar no espelho

Se sentindo sem querer um destruidor da natureza

Achar que é normal gastar água lavando o carro em seu quintal

E você ainda acredita que vai ter filhos, netos e bisnetos

Sem contribuir pra essa beleza natural

[EU É QUE NÃO ME ESPERO SEM ECONOMIZAR, VIVER PARA VER

MINHAS GERAÇOES FUTURAS A ESTE PLANETA CHEGAR

PORQUE LONGE DE OCEANOS E RIOS QUE CADA VEZ ESTÃO BEM MENORES

NA TORNEIRA CALMA DA MINHA CASA SE VÊ,UM GESTE SIMPLES MAS UM TANTO QUANTO INOVADOR.](repete refrão)

segunda-feira, 28 de março de 2011

SESSAO DAS DEZ

Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 é um álbum do cantor e compositor brasileiro Raul Seixas. Foi gravado em 1971 nos estúdios da CBS, no Rio de Janeiro por Seixas e pelo compositor capixaba Sérgio Sampaio, o cantor, dançarino e ator Edy Star (então conhecido apenas como Edy) e a cantora paulista Míriam Batucada.
FAIXAS--
  1. "Êta Vida" (Raul Seixas/Sérgio Sampaio) – 2:28 Cantam: Raul Seixas e Sérgio Sampaio
  2. "Sessão das Dez" (Raul Seixas) – 2:44 Canta: Edy Star*
  3. "Eu Vou Botar Pra Ferver" (Sérgio Sampaio/Raul Seixas) – 2:25 Cantam: Sérgio Sampaio e Raul Seixas
  4. "Eu Acho Graça" (Sérgio Sampaio) – 2:49 Canta: Sérgio Sampaio
  5. "Chorinho Inconsequente" (Sérgio Sampaio/Erivaldo Santos) – 1:56 Canta: Miriam Batucada
  6. "Quero Ir" (Raul Seixas/Sérgio Sampaio) – 2:20 Cantam: Raul Seixas e Sérgio Sampaio
  7. "Soul Tabarôa" (Antônio Carlos/Jocáfi) – 2:44 Canta: Miriam Batucada
  8. "Todo Mundo Está Feliz" (Sérgio Sampaio) – 2:56 Canta: Sérgio Sampaio
  9. "Aos Trancos E Barrancos" (Raul Seixas) – 2:27 Canta: Raul Seixas
  10. "Eu Não Quero Dizer Nada" (Sérgio Sampaio) – 3:06 Canta: Edy Star*
  11. "Dr. Paxeco" (Raul Seixas) – 3:11 Canta: Raul Seixas
  12. "Finale" (vinheta) – 0:29 Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Edy Star* e Miriam Batucada

INTEGRANTES--
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RAUL SEIXAS
SÉRGIO SAMPAIO
EDY STAR
MIRIAN BATUCADA

domingo, 27 de março de 2011

ultima entrevista de Raul

ENTREVISTA CONCEDIDA AO PROGRAMA DO JO EM 1989

Entrevista com Raul Seixas e Marcelo Nova cedida ao Programa Jô Soares Onze e Meia em 1989.

Jô - Eles cozinham na mesma panela: um é meio bruxo e nasceu há 10 mil anos, e o outro é seu companheiro e parceiro. Eu vou chamar Raul Seixas e Marcelo Nova.

E aí Raul, como é que é o negócio: você é ele ontem ou Marcelo é você amanhã?

Raul -(risadas) Eu estou muito satisfeito em trabalhar com Marcelo Nova. É uma pessoa que tem a mesma metafísica que eu.

Jô - Quer dizer que cozinham realmente na mesma panela?

Raul - Sim, na mesma panela.

Jô - Marcelo, e você...é realmente Maluco por Beleza? Marcelo - Sim, claro. E é coisa gozada porque nós dois somos de Salvador. A gente não é da turma do dengo, mas somos baianos, somos baianos do outro lado.

Raul - Não somos da turma do dengo.(risadas)

Marcelo - E nos anos 60, eu tinha 14 anos, Raul devia ter uns 20 anos e poucos, e ele tinha uma banda chamada Raulzito e seus Panteras. E eu ia lá para a primeira fila assistir a história. E 20 e tantos anos depois a gente está cozinhando na mesma panela.

Jô - Quais são as características principais de um Maluco Beleza, hein Raul?

Raul - (risadas) Isso foi nos anos 70. Eu era Maluco beleza. Hoje em dia eu não falo muito, eu penso. Penso mais do que falo.

Jô - Mas você acha que quando falava muito deu problema para você...falar muito nos anos 70?

Raul - Deu muito problema para mim. Eu fui expulso do país.

Jô- Em que ano você foi expulso?

Raul - 74. Na época do Geisel.

Jô - E foi para onde?

Raul - Nova Iorque. Encontrei John Lennon em Nova Iorque

Jô - E como foi tua barra em Nova Iorque? Como é que era a vida lá?

Raul - Bem, eu estive com John Lennon quando ele estava separado da Yoko Ono num apartamento que ele alugou. O apartamento era grande. eu fui com um cara do Cruzeiro. O segurança dele botou o cara para fora. Eu já tinha escrito cartas para ele falando da Sociedade Alternativa, e foi por este motivo que eu fui posto para fora do país. Queriam saber quem eram os donos da Sociedade quando era apenas uma música (risadas).Fiquei três dias na casa de Lennon, conversamos sobre os donos do planeta Terra. As pessoas que fizeram a cabeça do Planeta Terra. Jesus Cristo, pessoas ilustres (risadas).

Jô - Pessoas altamente ilustres, né?

Raul - Pessoas ilustres... E ele me perguntou quem é que tinha no Brasil de grande figura. Nós conversamos sobre Calígula, sobre todas essas pessoas incríveis e, quando ele perguntou do Brasil eu não tinha ninguém para dizer! Aí disse Café Filho. Aquelas coisas quando a gente fica nervoso não sabe o que dizer (risadas)...

Jô - Imagine o John Lennon ouvindo isto... Coofee Filho??? (risadas)
]
Raul - É, eu disse não é nada, não.

Jô - Raul, em Nova Iorque a barra chegou a pesar? O negócio do lixo. Como é que era esse negócio do lixo que você estava contando aqui?

Raul - Ah! do lixo... Três horas da manhã eu me vi numa viela perdido em Nova Iorque e tinha um palhaço comendo lixo...

Jô - Um palhaço!!!?

Raul-É um palhaço muito bonito, bem vestido, comendo lixo. E ele me convidou assim(faz um gesto cordial) para ir comer o lixo com ele. E eu comi o lixo com ele...(risadas) Não... mas o lixo de Nova Iorque é gostoso!

Jô - É um lixo comível?

Raul - É um lixo comível.(risadas)

Jô - Você lembra o que é que tinha no lixo ou não?

Raul - Catchup. (risadas)

Jô - Muito catchup! Agora, catchup no lixo não vira um pouco comida de vampiro, não Raul?

Raul - Naquela época eu tinha que ser vampiro mesmo (risadas)

Jô - O que pintasse?

Raul - É, o que pintasse tava dando. Eu estava vivendo...sobrevivendo em New York.

Jô - Eu me lembro de você fazendo um show que eu fui assistir no teatro Teresa Raquel. Era um show extraordinário.

Raul - Em 73, né?

jô - Foi...72...73. Eu sei que tinha um lado muito moleque, muito irreverente. E você na época dizia coisas no palco sobre o disfarce do roqueiro que as outras pessoas não podiam dizer fora da música, né?

Raul - Sim...

Jô - Aliás, neste dia estava comigo meu amigo Paulo Pontes e ele me disse: "Esse rapaz diz uma porção de coisas que se a gente quiser escrever numa peça de teatro na hora é proibido."

Raul - Eu sempre tive problema com a censura. Até hoje eu tenho 11 músicas censuradas, eles olham minha obra de cima para baixo. Sacodem para ver se sai alguma coisa.

Jô - Mas até hoje isso continua?

Raul - Até hoje. É uma coisa terrível!

Jô - E o rock. O rock está vivo no Brasil? Como está a situação do rock, Raul?

Raul - Para mim o rock'n'roll morreu em 59. Hoje em dia o que existe é um reflexo de nossa época, da nossa cultura.

Jô - E como é que você chama a música que você faz hoje?

Raul - Raulseixismo (risadas).

Jô - E o Marcelo? O Marcelo Nova está fazendo o que Marcelonovismo ou Raulseixismo?

Marcelo Nova - É, acho que a gente tem umas coisas de identificação que já vem desde essa época que eu comecei a falar. Quer dizer, naquela época eu ouvia Beatles, Rolling Stones, vinha tudo de outro continente, né? Aí eu descobri que existia um tal de Raulzito e uma banda Os Panteras. Eu vou lá ver, e aí me apareceu esta figura (aponta para Raul) vestida de couro e de topete. Eu olhei e disse: um dia quero ter uma Banda. Foi esse o primeiro contato ao vivo.

Jô - Você queria ter o que? A banda ou o topete?

Marcelo Nova - Os dois bicho...os dois. Tinha aquele negócio da cuspida do chiclete que era esteticamente importante. Naquela época era muito importante você usar a gola da camisa para cima e cuspir o chiclete.

Jô - Mas por que importante?

Marcelo Nova - Porque o pai da gente não fazia isso. o pai da gente tinha a gola assim (abaixa a gola) e não mascava. O mascar era um negócio muito complicado. Podia ser muito arriscado inclusive.

Jô - Marcelo, agora que você falou este negócio de cuspir, eu olhei de repente para você e vi o Bob Cuspe, aquele personagem do Angeli.

Marcelo Nova - Rapaz, sabe que quando eu comecei, durante um certo tempo no Camisa de Vênus, muita gente fazia esta comparação.

Jô - Raul como é que aconteceu, você em Serra Pelada dando autográfo?

Raul - Ah rapaz! Na hora do show me deu uma dor de barriga desgraçada (risadas). Eu estava em Serra Pelada na casa de prostitutas, né? que serve para alimentar a população de garimpeiros dali. Eu fui chamado para lá mesmo. Me levaram para um buraco para fazer minhas necessidades num buraco. Eu estava defecando e as pessoas me pedindo autográfos com um isqueiro aceso para eu enxergar o buraco (risadas).

Jô - Que situação hein, Raul?!! Agora sobre o novo disco. Vai ter a foto dos dois na capa, né?

Raul - Vai ter nós dois.

Jô - E vai chamar A Panela do Diabo, e os dois demoninhos cozinhando naquela panela.

Marcelo Nova - É. Nós fomos tocar no interior de São Paulo, e o disco estava em andamento e não tinha nome ainda. Aí estavamos dentro do camarim esperando para subir no palco, veio uma pessoa com uns panfletos que estavam sendo distribuídos na entrada alertando os jovens do perigo de assistir um show de Raul Seixas e Marcelo Nova porque nós éramos a encarnação do demônio. E fazia uma analogia com textos do Raul - Eu nasci há 10 mil anos atrás.

Raul - Que eu vi Cristo ser crucificado.Eu era o diabo que estava ali no meio.

Marcelo Nova - Pois é, e eu olhei para o Raul e disse: bicho, taí o nome do disco. Agora, mais do que nunca vai se chamar A Panela do Diabo. São eles que querem.

Jô - E vocês podem mostrar para a gente alguma coisa do disco novo?

Marcelo Nova - É claro. Está aqui a Banda Envergadura Moral que já acompanhou a gente em 43 shows. Jô - Então vamos lá: Raul Seixas, Marcelo Nova e a Envergadura Moral... (Raul e Marcelo cantam Carpinteiro do Universo)

sexta-feira, 25 de março de 2011

profetico?

Seria ele, Raul Seixas um homem profético na beira de sua morte, quando com convicção disse a seguinte frase.

''NÃO MORRI DE OVERDOSE.MORRI DE TÉDIO''

Quando eu li essa frase eu fiquei pasmo, pois ele sabia bem que morreria de overdose, que foi motivada pelo tédio e vice-versa, e sim, essa é a beleza do Raul, essa coisa magica e louco que ele sabia, e em muitas de suas musicas ele estava muito tempo a frente, com pensamentos meio ''proféticos-malucos''

EI RAULZITO, VC É MEU PSICOLOGO CARA

quinta-feira, 24 de março de 2011

raul seixas e as drogas

Raul Seixas e as drogas

Uma das facetas menos exploradas e pouco discutidas do genial cantor e compositor da Música Popular Brasileira foi a sua utilização de drogas durante a maior parte de sua carreira. Incluo aqui, no rol das drogas, o álcool, a cocaína, a maconha e o éter. Destas drogas, a que o Raul Seixas menos consumiu foi a maconha, por achar que o deixava com o pensamento lentificado. Coisa para Hippies, ele falava.

Desta forma, para tentar lançar uma luz dentro deste aspecto que se tornou um verdadeiro tabu na biografia de Raul Seixas, o qual, em minha opinião, afasta muita gente de tentar tomar conhecimento de sua grandiosa obra, eu resolvi fazer uma coletânea das principais referências ao assunto, constantes da bibliografia existente. Muitas destas assertivas foram feitas pelo próprio Raul Seixas e por alguns de seus familiares. Passei então este material à análise de um conhecido psiquiatra do Rio de Janeiro, Dr Pedro Paulo Nunes Braga, que após analisar detalhadamente estes documentos respondeu à várias perguntas por mim efetuadas e que fazem parte da Parte 2 deste artigo. As seguintes referências e citações, constante da bibliografia sobre Raul Seixas abaixo transcritas serviram de base para esta análise por parte do profissional acima citado:

1) Vida e Obra de Raul Seixas no cinema:

Este documento é uma entrevista dada recentemente por Kika Seixas ao jornalista Wanderley Araújo, correspondente da Agência Amazônia no Rio de Janeiro, sobre um filme documentário sobre Raul Seixas que está sendo preparado para entrar no circuito em 2007:

- Foi difícil conviver com o Raul alcoolizado e drogado?

Kika Seixas: Não foi fácil porque a situação foi se agravando cada vez mais. O nosso casamento saturou porque chegou num ponto em que o Raul não conseguia mais se desvincular do seu personagem. Ele passou a ser artista o tempo todo. Não conseguia tirar um tempo para o Raul pai, o Raul esposo, o Raul mais família. Eu acho até que o fato de estar sempre incorporado no papel de roqueiro foi um artifício que ele encontrou para criar uma barreira, uma forma de eu não poder repreendê-lo por estar alcoolizado e sob efeito de cocaína. O Raul consumia muito álcool, mas a cocaína ele só cheirava para compor. Ele achava que aquilo dava uma agilidade. No começo o pó ajudou muito, na cabeça, na fantasia dele, ele achava que entrava num processo de criação muito mais ágil e intenso, e a cocaína faz isso realmente. Ele acabou ficando dependente dela apenas para compor, porque no dia a dia ninguém consegue cheirar cocaína toda hora, a gente tinha filha para criar, tinha show para fazer. A bebida era a substância que ele fazia uso constante, a qualquer hora poderia estar bebendo. Nos shows o Raul não gostava de cheirar, porque ficava tenso. Ele gostava da cocaína nos momentos intimistas em que estava compondo. O Raul gostava de dizer que depois de dar uma cheirada ele ficava arquitetando como o professor Pardal, aquele cientista dos quadrinhos.

- Raul injetava drogas?

Kika Seixas: Nunca! Ele tinha horror à injeção. Há muitas fantasias sobre a vida de Raul. Uma delas foi inventada por uma editora espírita que lançou um livro sobre um tal Roqueiro do Além. O livro dizia que o espírito do Raul tinha baixado em não sei quem, e que o Raul estava agora no céu dizendo aos jovens que não se picassem, que não tomassem LSD. Não é verdade. Raul nunca se picou, tinha horror à agulha, não tomava LSD e não gostava de maconha. Achava que a maconha chapava muito, deixava-o lento para produzir. Eles venderam cinqüenta mil livros com essa farsa. O editor tentou se desculpar dizendo que aquilo foi uma forma de usar o prestígio do Raul para alertar os jovens sobre o perigo das drogas, mas eu achei um absurdo e disse a ele que não podia usar o nome de um artista, inventando uma situação monstruosa dessa para virar exemplo.

- As drogas só vieram depois de um tempo na carreira de Raul?

Kika Seixas: Até Ouro de Tolo, o Raul não conhecia cocaína. Só depois ele veio experimentar e gostou muito do efeito, da agilidade que proporcionava durante o processo de criação. As drogas do Raul foram álcool e cocaína. Ele tomou também pílulas contra depressão.

- Como foram os últimos momentos do Raul?

Kika Seixas: Não sei em detalhes porque não éramos mais casados. Ele estava solteiro, sua última mulher tinha sido a Helena Coutinho. Mas o fato é que era um final de semana e a Dalva, a empregada que forçava-o a tomar injeção de insulina contra a diabete, não estava em casa. Ele estava bebendo e ficou sem tomar insulina. Não agüentou. O Raul consumia Vodca, mas no final da vida só estava bebendo cerveja, o estômago rejeitava Vodca e ele vomitava. O fim da vida do Raul foi dramático. Ele estava inchado, não comia, tinha diabete, era hipertenso e estava com pancreatite aguda. O Raul muitas vezes caía em casa. Ele tinha um problema que poderia ter sido controlado se abandonasse o álcool, mas nunca aceitou o alcoolismo dele.

2) Declarações do próprio Raul Seixas, contidas na página 173 do livro “O Baú do Raul”, de Tárik de Souza e Kika Seixas.

Situações Vergonhosas

Eu jamais poderia mostrar ao mundo circundante atitudes e episódios tão chocantes e alarmantes sabendo da delicadeza do meu trabalho como um cantor e compositor de nome. Para ser objetivo, várias foram as minhas "vergonhas alcoólicas":

Em todas as excursões que fiz através do Brasil junto com meu conjunto e empresários, devido à sempre ser bem-sucedido nas apresentações, voltava na euforia da vitória e isso era, por certo, um bom motivo para beber. Ainda no palco, cantando, não via a hora de terminar meus 45 minutos para "comemorar" no hotel com algumas fãs e colegas de trabalho. E era uma conversalhada danada, e como era de se esperar, entre fileiras e mais fileiras, entre esvaziar a geladeira e mandar o hotel repor as bebidas, eu atendia às expectativas dos fãs e de todo mundo, sendo como sempre o centro das atenções. Após a festa acabar e todos irem embora eu continuava bebendo e cheirando, sabendo que pela manhã tinha que pegar o avião e ir para o outro estado para outro show à noite. Bebia sozinho ou com alguém até o ponto de chegar a quebrar o hotel. Quebrava os espelhos da sala, cama, quebrava tudo e no outro dia a cidade que eu deixava estava com a notícia noticiando minha façanha.

Uma outra vez, na cidade de Caieiras, no interior de São Paulo, estava tão bêbado que o público achou que não era eu que estava ali, pois eu esquecia as letras de minhas próprias músicas; era uma seqüência de "brancos" no palco. O público começou a ficar irritado e a gritar: "Fora farsante". Ainda por cima tive a audácia de me sentir indignado com a reação da platéia, vociferando para eles. Mandei chamar a polícia para me proteger de um linchamento. A polícia veio e me prendeu. Fui espancado, pois não conseguia sequer provar minha identidade ante o delegado. Nunca andei com documentos, confiava no nome e esqueci de me lembrar de não confiar no álcool.

Outra feita não compareci a um grande show na casa de espetáculos Adrenalina, onde o público quebrou a casa inteira, inclusive a aparelhagem de som, dando um prejuízo enorme e também pessoas foram pisoteadas e gravemente feridas.

Utilizei uma menina de onze anos, filha de Lena, para comprar éter na farmácia, pois já não vendiam para mim. Meu irmão, quatro anos mais novo do que eu, veio da Bahia para o Rio me visitar sabendo do meu problema. Eu sempre fui o seu herói e professor, ele sempre me respeitou. Hospedou-se lá em casa e me convidou para jantar fora. Minha ex-esposa não podia ir, pois tinha algo a fazer. Como eu não podia beber em sua frente, no restaurante, e a compulsão aumentava insuportavelmente, eu fui ao balcão e segredei ao barman para botar uma dose dupla de vodca na pia do banheiro. Sentei e conversei nervosamente com meu irmão dando tempo necessário para a trama. Pedi licença para ir ao banheiro, andei rápido, abri a porta e... O copo estava servido lá. Mas, no momento que pus as mãos em torno do copo, uma outra mão por detrás segurou a minha e tomou a bebida. Eu não ofereci resistência, e a bebida foi despejada na pia. Era meu irmão sério e determinado que me olhava fazendo-me esboçar um sorriso tímido e amarelo, bem infantil. Nunca me senti tão mal; foi uma experiência terrível. Em 74 abandonei minha primeira esposa e filha no meu primeiro apartamento, que comprei com esforço pela Caixa Econômica Federal. Abandonei as duas sem nenhum aviso, indo então para uma temporada em Brasília levando comigo a irmã do meu guitarrista americano. Seu nome era Gloria, que visitava o Brasil. Minha futura e segunda esposa. Minha família é que deu apoio moral e financeiro à Edith e à Simone, em Salvador; esta minha filha sou proibido de ver faz onze anos.

Fui internado por minha quarta esposa, mãe carioca da minha filha mais moça, pelo menos umas dez vezes. Enfermeiros fortes invadiam a minha casa no Brooklin e me jogavam na ambulância, sob os olhos de todos os vizinhos, e me levavam para hospitais psiquiátricos. Devia dinheiro em tantos bares da redondeza que para achar um novo tinha que dar voltas homéricas para escapar de ser visto. Às vezes minha música estava tocando numa padaria que não queria me servir, mas por causa da minha música que tocava na rádio era eu servido pelo cara que por certo achava que eu tinha alguma importância. Eu salvo pelo gongo. Ali naquele momento, com pose de artista, eu aproveitava e bebia enquanto o cara achava que eu era o Raul Seixas e não um bêbado...

Vila Serena - São Paulo, 31/9/1987

3) Declarações do próprio Raul Seixas, contidas na página 27 do livro “O Baú do Raul”, de Tárik de Souza e Kika Seixas.

Auto-Análise

1 - Não gosto de dar as costas a lugares. Imagino que algo vem atrás de mim.

2 - Inquietação. Tensão. Temo o possível desgoveno da minha mente criando algo que eu não quero ver.

3 - Temo a morte e todos os fatos que circundam este assunto.

4 - Nunca sento na latrina, sempre fico de cócoras. Algo me inquieta no sentido de que eu possa ser atacado por baixo (verme).

5 - Não gosto de escuro quando estou só (eu e minha mente).

6 - Sonho muito sendo perseguido.

7 – Ponho sempre a culpa no mundo por meus atos.

8 - Quando, ao banhar-me no chuveiro, tenho que passar sabão no rosto, inquieto-me de ter que conservar os olhos fechados e não saber o que se passa. Rápida e nervosamente tiro o sabão dos olhos para ver.

9 - Sensação de que estou sempre sendo observado, manifestação esta que, só se processa quando estou só, geralmente é noite e silêncio. Mesmo quando subo as escadas do edifício quando chego tarde do trabalho, subo inquieto, tenso, pois sempre está presente aquela sensação de que algo vem atrás.

10 - Uma vez meu irmão, meu primo e eu (os três influenciados por crendices na época) sentimos medo no quarto afastado da fazenda, e "acreditamos" que um conhecido nosso havia morrido e acreditamos tanto naquilo que sentimos que "ele" estava ali para nos avisar. Ficamos gelados, tremendo sem parar, brancos, como se tomados pelo espírito da pessoa.

1971


POSTAGEM TIRADA DO BLOG http://raulsantosseixas.multiply.com/

quarta-feira, 23 de março de 2011

LICENÇA? AFF

Esse blog não tem licença, pow, cade a alma da sociedade alternativa, pra que tantas leis, faz o que tu queres, de ser tudo da lei.
Essas leis são totalmente contra a idéia do Raul, o que significa as musicas dele, em, as mensagens nelas expressas, vc poderá usar o que aqui foi publicado, mas será por sua conta e risco.

POR HOJE É SÓ

fotos inéditas [4]





Raul Seixas e o anarkismo

Desde quando me entendo por gente decente , isso não faz tanto tempo, sempre fui um pouco anarquista, pois na verdade,lá no fundo,nunca quis ser ''governado'' por outros.
Talvez tenha sida nas musicas do Raul, que eu tenha aperfeiçoado esta ideia anarquista, por que , cai entre nós, Raul Santos Seixas pode sim ser considerado um anarquista.
Para quem não sabe, deveria saber, anarquismo não é falta de ordem, é falta de coerção, ou seja, falta de um comandante, é ter a cara de faser um grupo e executar uma ação, sem precisar de um líder, um organizador, talvez.
Raul Seixas sempre deixou claro em suas musicas, a ideia de revolta, de egoísmo, de amor, de revolução, de ANARQUISMO( paramos aqui, Raul deixou TUDO claro), e isso talvez tenha feito com que Raul se transformasse num cantor único, com ideias e sociedades próprias e muitas das ideias são ''puxadas'' ao anarquismo, abaixo um exemplo

''Todos os partido são variantes do absolutismo.Não fundaremos mais partidos, o estado é o nosso estado de espírito...(RAUL SEIXAS)

Acima temos uma frase que mostra as ideias sempre um pouco do lado do anarquismo, mas sem perder aquela ideia do Raul, aquela coisa que parece magica, pois ele sabia como atingir o publico com uma musica inteligente e ao mesmo tempo sarcatisca, com um pouco de magia e misturada com realidade, sim, esse é Raul Seixas


terça-feira, 22 de março de 2011

mais um dia se fechando

mais um pensamento glorioso do mestre pra vcs

"Eu já fui de vários jeitos
Jeitos que não eram eu
Demorei a encontrar meu caminho
Trilhando caminhos que não eram o meu
Mas ao longo dos caminhos
Encontrei muitas flores
E também muitos espinhos
Descobri vários amores
Enfrentei vários temores
Pelas beiras dos caminhos
E eles foram se fundindo
Todos em uma coisa só
Os caminhos, os amores
E os temores
Tudo o que encontrei
Tentando ser o que não era eu
Transformou-me no que eu sou
E formou o caminho
Que finalmente era o meu..."

té mais pessoal legal

As mensagens subliminares

Estava trocando idéias com meu professor de violão e ele me explicou correctamente como funciona as mensagens subliminares na musica.Existe a midia normal, que é a própria musica, e a midia inversa, que quando um disco é rodado ao contrário, pode se encontrar mensagens.
Eu estava observando algumas musicas do Raul e descobri algumas ''mensagens''ex,,,''jesus tá foda''(maluco beleza) e algumas coisas que falavam de bruxas e lua, que pareciam meio sem sentido.
Mas sempre me questionei porque existem mensagens subliminares, para que servem, e nesses breves pensamento, suponho que deve ser um tipo de lado B dos cantores, ou talvez uma forma de driblar as pessoas que ouvem e talvez não entendem.
O Raul, convenhamos, tem uma imensidão de mensagen subliminares em suas musicas, mas o problema de estuda-las é que a tecnologia convencional de hoje em dia, não permite ouvi-las com nitidez, e talvez tomamos ideias errados sobre tal cantor.
Portanto, suponho, meio que um apelo mudo, pra que se alguém que tenha uma tecnologia mais avançada, e que é fã de Raulzito, que tentasse entender estas mensagens e decifra-las, pra quem sabe descobrirmos um lado mais magico do Raul, mais do que ele é.

O tal do filme

Estou aqui hoje é exclusivamente ora esclarecer a tal da história do filme do Raul, o falso e o verdadeiro, para fãs que ficaram meio leigos no assunto

O FALSO
Andaram veiculando ideias de que fiuk, seria o novo Raul Seixas num tal filme chamado Raul Seixas, a metamorfose ambulante, porem a noticia se espalhou e criou revolta.
A maioria dos fãs de Raulzito ficaram revoltado, mas depois, acalmaram, porque descobriram que o tal filme e mais falso que nota de três reais. Portanto o filme é falso.
.

O ORIGINAL.
como a maioria de nós sabemos, existe um filme chamado, Raul, o inicio o fim e o meio, que segundo noticias na revista GALILEU, o filme foi lançado dia 4 de Março, abaixo o cartaz.
É, É, ISSO.

segunda-feira, 21 de março de 2011

e para fechar mais um dia

a frase que o poeta eterno deixa pra vcs

"-Deus tem mais de mil nomes:
dinheiro
ídolos
gurus
carro
cigarro
drogas
o Salvador
livros
desejos insatisfeitos
sexo neurótico
status
sonhos
muletas
casa
hobbies
cinema
TV
rádio
e a pergunta POR QUÊ?"

Raul Seixas

o poeta de sempre pessoal, e amanha tem mais, e principalmente a história do tal filme, o falso e o real, até mais povo

fotos ineditas[3]





os melhores cover's de raul seixas

estou reunindo aqui os mais conhecidos e melhores covers de raul seixas, mas sem contato, pois aqui só estarei mostrando como raul seixas tem uma importância enorme para seus fãs de carteirinha.

J.Peron~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


Leo Seixas~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
~

Amorim Menezes~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Raulzito cover~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Roberto Seixas~~~~~~~~~~~~~~~~~

Ayrton Ramos~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Wilson Seixas~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Dylan Seixas~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Alexandre Seixas~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


como todos nós sabemos, esses são apenas alguns cover de Raul Seixas, mas existem milhares e milhares por ai, mas coloquei aqui os mais conhecidos.este blog nao é especializado em covers, mas acho legal publicar aqui os fãs mais malucos do maluco beleza, quem quiser entrar em contato, procurar no google pois aqui coloquei a importância de covers do Raul Seixas, e a importância do próprio Raul no dia a dia.

domingo, 20 de março de 2011

e para fechar o dia, uma frase do mestre

''Eu já entrei vinte vezes no escritório do psicanalista
Depois paguei ao médico e depois fui ao dentista
Para ver o que eu tenho e não consigo dizer.
Perguntei a toda gente que passava na rua
Ao patrão, à minha sogra, à São Jorge na lua
Mas nenhuma dessa gente conseguiu me responder.
Por causa disso eu fui pra casa e fiquei pensando
Se era eu que estava errado com as minhas maluquices
Ou se era o mundo todo que estava me enganando.
Arrumei as malas
Deixei as perguntas na gaveta
Procurei saber o horário do próximo cometa
Me agarrei em sua cauda e fui morar noutro planeta.''
Raul Seixas

por hoje é so pessoal, amanha tem mais

milionario e jose rico cantam gita

quem diria em, ate as maiores lendas da musica sertaneja(que eu particularmente não gosto muito) tocam Raul

link--- http://www.youtube.com/watch?v=wuDraNXD0mg

não milionário e José rico gravaram musica do Raul, abaixo uma lista de musicas que foram feitas para homenagear Raul Seixas

para Raul- ramalho
http://www.youtube.com/watch?v=i1URtJAl5U8 (esta musica foi tirada do dvd que ramalho canta varias musicas de Raul)

um canto para Raul-césar di

link--- http://www.youtube.com/watch?v=k_4XD6DVBn4

toca Raul--- Zeca Baleiro

link--- http://www.youtube.com/watch?v=_-QFowe174k


essas são apenas algumas, abaixo segue uma ''listinha'' de musicas sejam homenagens ou do mesmo cantada por outros

fotos ineditas[2]





j peron interpreta raul seixas

e isso ai, j peron e o cara que interpreta o raul seixas em varios programas, e um cover, e abaixo uma foto e o endereço pra quem quiser entrar em contato

http://www.jperon.com.br/



e abaixo o link de um video dele cantando gita

http://www.youtube.com/watch?v=Ks5xWUjF8lg&feature=fvst

camiseta comemorativa raul rock club

Galera,
o pessoal do raul rock club esta disponibilizando em quantidade limitadíssima, a camiseta comemorativa dos 30 Anos do Raul Rock Club. São dois modelos (conforme imagens abaixo) em tamanho único: G.

Àqueles que estiverem interessados em adquirir uma ou mais peças, por favor, faça contato pelo e-mail sp@sylviopassos.com .

Valor unitário: R$ 25,00 + despesas postais [FRETE].

masculina tamanho G abaixo



e feminina babby look G abaixo



MAIS INFORMAÇOES PELO SEGUINTE ENDEREÇO-- http://raulsseixas.wordpress.com/2011/02/05/camiseta-comemorativa-raul-rock-club-30-anos/

ABRAÇOS

fotos ineditas[1]





Ouça canção inédita de Raul Seixas

'Gospel' foi composta em 1974 e censurada pelo regime militar.
Fantástico teve acesso à versão original da relíquia.

Do G1, com informações do Fantástico, para o blog rsraulseixas!!!!

Em 1974, uma canção de Raul Seixas e Paulo Coelho foi censurada pelo regime militar. Ela entrou na novela “O Rebu” com as estrofes totalmente alteradas.
A gravação original ficou desde então com o produtor Marco Mazzola, que esperou até que a tecnologia de edição de áudio permitisse recuperar a canção, chamada “Gospel”, com qualidade.
Para conceber um arranjo atual para a música Mazzolla chamou Frejat, do Barão Vermelho.


LINK DO VIDEO---- http://www.youtube.com/watch?v=xn-Zci6agSY -----LINK DO VIDEO

DIRETO DO YOUTUBE

sábado, 19 de março de 2011


Biografia
O ano é 1945. O ano que soltaram a bomba atômica. Foi no dia 28 de junho que Raul Santos Seixas chegou neste planeta. Filho de Dona Maria Eugênia Santos Seixas com o engenheiro ferroviário Raul Varella Seixas, nascido na capital da Bahia, Salvador.

A vasta biblioteca do pai foi seu brinquedo preferido. Daí veio seu gosto pela literatura. Raulzito vivia trancado no quarto lendo o "Livro dos Porquês" ou inventando histórias fantasiosas que, transformados em gibis desenhados pelo próprio Raul, eram vendidos ao irmão Plínio.
Eu tinha dois ideais: ser cantor ou ser escritor. Esses dois ideais seguiram comigo paralelamente durante toda minha formação. Que são a música e a literatura.



Em 1957, a família Seixas muda-se para uma casa que ficava próxima ao consulado norte-americano. Ali, Raul teve contato com os garotos do consulado, que lhe emprestaram uns discos de Elvis Presley, Little Richard, Chuck Berry...
Eu ouvia os discos de Elvis Presley até estragar os sulcos. O rock era como uma chave que abriria minhas portas que viviam fechadas. O rock era muito mais que uma dança pra mim, era todo um jeito de ser. Eu era o próprio rock. Eu era James Dean, o 'Rebel Without a Cause'. Eu era Elvis Presley quando andava e penteava o topete. Eu era alvo de risos, gracinhas, claro. Eu tinha assumido uma maneira de vestir, falar e agir, que ninguém conhecia. Lá na Bahia eu estava na frente de todos em matéria do que estava acontecendo no mundo, com relação à música. Claro que eu não tinha consiência da mudança social que o rock implicava. Eu achava que os jovens iam dominar o mundo.

A escola foi ficando de lado. Raul preferia ficar na loja "Cantinho da Música", curtindo o rock que chegava.
Eu era um fracasso na escola. A escola não me dizia nada do que eu queria saber. Tudo o que eu aprendia era nos livros, em casa ou na rua. Repeti cinco vezes a 2ª série do ginásio. Nunca aprendi nada na escola... Minto. Aprendi a odiá-la.

Raul andava de brilhantina no cabelo, camisas coloridas e blusão de couro. Sempre se encontrando com os amigos no "Elvis Rock Club".
Eu frequentava o psicólogo do colégio, pois meus pais me achavam esquisito.

A necessidade de fazer rock levou Raul a fundar, em 1962, o grupo "Relâmpagos do Rock", ao lado dos irmãos Délcio e Thildo Gama.





Em 1964, os "Relâmpagos do Rock", com nova formação, passam a se chamar "The Panters". É também o ano da profissionalização definitiva e da descoberta dos Beatles.
Foram os Beatles que me deram a porrada. Foi quando os Beatles chegaram e passaram a cantar as próprias coisas que eu vi, "pôxa, esses caras estão cantando realmente a vida, estão dizendo o que há pelo mundo, o que pensam. Então eu posso fazer a mesma coisa, dizer exatamente o que penso em minhas músicas." Foi quando eu comecei a compor, juntando tudo no meu caderninho.

Ainda no ano de 1964, a banda "The Panters" entra em estúdio para gravar aquela que viria a ser a primeira gravação oficial: duas músicas para serem lançadas em um compacto pela gravadora Astor. Mas as músicas jamais foram lançadas comercialmente.
Agora chamada de "Raulzito e Seus Panteras", a banda compra aparelhagem nova e melhor, tocam em boates e nos shows em que brilhavam astros da Jovem Guarda paulista e carioca. Seus maiores rivais são os grupos de samba e bossa nova do Teatro Vilha Velha. De um lado a bossa nova do Teatro Vilha Velha, do outro o rock'n roll do Cinema Roma, templo do rock em Salvador.
A bossa nova significava ser nacionalista, ser brasileiro, eu me lembro perfeitamente. Gostar de rock era ser reacionário... entreguista, alienado. E eu era o chefe do rock em Salvador... tanto que quando entrei para a faculdade de Direito, eu era superpichado, torto pelo pessoal do diretório e olhado como o idiota do rock, entreguista. Eu não gostava de bossa nova. Tinha ódio de bossa nova. Eu não me ligava na cultura musical brasileira.




Raul conhece então a norte-americana Edith Wisner, filha de pastor protestante e apaixona-se por ela. Por pressão dos pais dela e da própria Edith, Raul resolve parar com a banda e retomar os estudos para ganhar a confiança do sogro. Em pouco tempo presta vestibular para a Faculdade de Direito e passa em um dos primeiros lugares.
Eu queria provar às minhas pessoas, à minha família, como era fácil isso de estudar, passar em exames. Como não tinha importância mínima.

Em 1967, decide ao mesmo tempo casar com Edith e retomar a carreira com Os Panteras, atendendo a um pedido de Jerry Adriani. Então "Raulzito e Os Panteras" vão para a Cidade Maravilhosa.
Chegamos ao Rio de Janeiro no final de safra. Não entendemos nada. De um lado os baianos, Gil e Caetano com a Tropicália, misturando tudo. Do outro pessoas como Jerry Adriani, Agnaldo Timóteo... gostei muito das músicas de Caetano e dos Mutantes.

Em 1967, a banda chega a gravar um LP pela Odeon, "Raulzito e Os Panteras"
Mas a gente não sabia como fazer. Tocávamos umas coisas complicadas, minhas letras falavam de agnosticismo, essas coisas.

O disco foi um fracasso. Os Panteras viram-se obrigados a se tornar a banda de apoio de Jerry Adriani. Daí para a dissolução foi um passo. Depois de passar fome por anos na Cidade Maravilhosa, Raul voltou para Salvador desiludido e psicologicamente abalado.
Em 1971, um novo chamado de Jerry Adriani o faz voltar para o Rio de Janeiro, agora para trabalhar como produtor da gravadora CBS. Cumpriu essa função, além de compor para Jerry Adriani, Renato e Seus Blue Caps, Tonnie e Frankie, Trio Ternura, Diana e outros ditos astros da Jovem Guarda.
Os Beatles aprenderam em estúdio e eu também. Aprendi os macetes todos, aprendi a fazer música fácil, que diz direitinho o que a gente quer dizer. Eu já sabia que gostava de palco. Mas foi no Rio, com Os Panteras, que eu desisti mesmo de ser escritor. Vi que os sulcos dos discos levavam muito melhor o que eu queria dizer.

Na CBS, o produtor Raul Santos Seixas contrata Sérgio Sampaio.
Sérgio Sampaio foi o primeiro artista que eu realmente descobri. Acreditei mesmo nesse cara. Acreditei tanto que ele me incentivou a ser artista outra vez.

O incentivo de Sérgio leva Raul a produzir um LP: "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta: Sessão das Dez", com Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star, além do próprio Raul. O disco foi feito enquanto o diretor da CBS estava viajando.
Neste disco cada um cantava suas músicas em faixas separadas, num trabalho que resumia bem o caos da época. Valeu a pena, apesar de ter vendido muito pouco. Foi também a primeira vez que eu fiz algo para ser consumido e do qual me senti paranoicamente orgulhoso e feliz.


O LP lhe valeu a expulsão da CBS quando o presidente da gravadora voltou.

No ano de 1972, Raul se interessa por um artigo sobre discos voadores publicado na revista "A Pomba" e resolve conhecer o editor dessa revista, que era Paulo Coelho. Desse encontro surgiu uma grande amizade.
Também por incentivo de Ségio Sampaio, Raul participa do VII Festival Internacional da Canção, em setembro de 1972. Inscreveu no festival "Eu Sou Eu e Nicuri é o Diabo", defendida por Lena e Os Lobos, e "Let Me Sing, Let Me Sing", uma mistura de rock e baião defendida pelo próprio Raul. Ambas foram classificadas.
Até então, eu estava por detrás do disco. Precisava projetar minha música. Combinar o rock de Elvis com o baião, foi a fórmula certa para chamar a atenção. Mas foi apenas o começo.

A classificação de "Let Me Sing, Let Me Sing" entre as finais, além da excelente repercussão que Raul provoca no público e na imprensa, garantem a continuidade de sua carreira como cantor e compositor na Philips, onde gravou um LP antológico de clássicos de Rock'n' Roll e da Jovem Guarda, "Os 24 Maiores Sucessos da Era Rock". O disco não levava o nome de Raul na capa. Mais tarde, em 1975, o disco foi reeditado com o nome de "20 Anos de Rock", aproveitando a fama de Raul.

Mas a explosão mesmo só viria com o compacto "Ouro de Tolo". Uma letra autobiográfica e ao mesmo tempo um tapa na cara da classe média, que trocava a verdadeira realização pelo acesso às bugigangas comuns de consumo, naqueles tempos de "Milagre Brasileiro". Estava aberto o caminho para o primeiro LP.

"Krig-Ha, Bandolo!" (que quer dizer cuidado, aí vem o inimigo!) foi lançado em 1973 e é tido pela crítica como seu melhor trabalho, estando entre os 10 melhores álbuns brasileiros de todos os tempos. Em algumas músicas de "Krig-Ha, Bandolo!", Raul divide parceria com Paulo Coelho, mas, sem dúvida, os maiores sucessos do álbum são composições apenas de Raul Seixas, como "Metamorfose Ambulante", "Mosca na Sopa" e "Ouro de Tolo".



Já consagrado, Raul partiu para a elaboração de seu segundo álbum, "Gita", ao lado de Paulo Coelho. Paralelamente, trabalham na criação da "Sociedade Alternativa", uma sociedade baseada nos preceitos do ocultista inglês Aleister Crowley, onde a principal lei é "Faze o que tu queres, pois tudo é da Lei!". Raul anunciava em seus shows que era hora de mudar o mundo e distribuía um gibi/manifesto chamado "A Fundação Krig-Ha".
A Sociedade Alternativa era um movimento de pessoas para consigo mesmas, primeiro que tudo. É o egoísmo, mas o egoísmo no bom sentido. O egoísmo de você saber que é diferente de todo mundo e que todo mundo é diferente de você. É você ter sua própria identidade, fazer o que você quiser. E nada errado. Todo homem tem direito de mover-se pela face do planeta sem usar passaporte. Todo mundo tem direito de pensar o que quiser, todo homem tem direito de ver e de escrever o que ele quiser, porque você é diferente, você é a única coisa que você tem na vida. A sua própria vida é a única coisa que você tem, o resto você não leva nada. É o individualismo. Todo mundo embaixador do seu próprio país, vamos dizer assim.



A ideia da "Sociedade Alternativa" não agradou ao governo brasileiro e Raul e Paulo foram presos e torturados pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), sendo obrigados a deixar o país. Então Raul, Edith, Paulo e Adalgisa (mulher de Paulo na época) partem para os Estados Unidos. Lá, Raul tem um suposto encontro com John Lennon e Jerry Lee Lewis. Graças ao sucesso de "Gita", Raul e cia. voltam para o Brasil. O casamento de Raul com Edith vai chegando ao fim e ela volta para os Estados Unidos levando a filha do casal, Simone.



O sucesso de "Gita" deu a Raul seu primeiro Disco de Ouro, pela venda de 600 mil cópias. Mais tarde, Raul reconheceria que "Gita" foi um álbum excessivamente doutrinário.
Eu estava sendo um Cristo, botando para fora um Jesus que há em mim e que já me fez gostar de sofrer pelas pessoas, tentar mostrar caminhos, dar toques. Já reparou na capa? Estou eu lá de dedo pra cima, veja se é possível? Como se eu quisesse indicar caminhos para as pessoas. Mas é o retrato mesmo do que eu fui naquela época.

Já o LP de 1975, "Novo Aeon", não é tão doutrinário quanto o anterior. "Novo Aeon" traz uma interpretação pessoal de Raul da obra de Aleister Crowley.
Este álbum é todo em cima do "Livro da Lei", que Aleister Crowley recebeu, ditado por um ser do Novo Aeon. Mas não é... apostólico. São simplesmente coisas que eu descobri e digo, porque tenho esses meios de dizer, sacar. Sou o cientista que faz a granada que o soldado lança pra explodir tudo... Não levei Aleister Crowley tão a sério não. Aliás, eu acho que é isso que ele queria. Tirei coisas dele pra mim, aproveitei.

Apesar de trazer músicas como "Tente Outra Vez", "Rock do Diabo", "A Maçã", "Para Nóia" e "É Fim de Mês", o LP foi um fracasso comercial.
Como "Gita" vendeu 600.000 compactos, eles esperavam que "Novo Aeon" faturasse 600.001 e se programaram para isso. Aí vendeu só 40.000 discos, foi a maior decepção.

Raul conhece outra americana, Glória Vaquer (Space Glow), irmã do seu guitarrista Jay Vaquer. Acaba-se casando com Glória e, desta união, nasce a segunda filha de Raul, Scarlet, em junho de 1976, no Rio, no mesmo ano em que é lançado o álbum "Há Dez Mil Anos Atrás", no qual Raul aparece maquiado na capa, como se fosse um sábio ancião. Chega ao fim a parceria com Paulo Coelho, embora continuassem amigos (ou inimigos) íntimos.



Raul, então, sai da Philips para a recém-fundada WEA. Juntos, Raul, sem barba nem bigode, e Cláudio Roberto, um antigo vizinho dos tempos do Rio, fazem o LP "O Dia Em Que A Terra Parou", em 1977. A crítica não gostou, mas os fãs adoraram o disco e as músicas "Maluco Beleza", "Sapato 36" e a faixa-título. Devido às críticas ao LP, os shows de Raul não fazem tanto sucesso. Raul separa-se de Glória, que volta para os Estados Unidos com a filha Scarlet. As mudanças em sua vida pessoal e profissional parecem tê-lo abalado e a isso se juntam os problemas de saúde.



Raul já está com uma nova companheira, Tânia Menna Barreto. Com ela passa alguns meses em uma fazenda no interior da Bahia, para se recuperar da pancreatite que é agravada pelo consumo de bebidas alcoólicas.


Com Tânia divide parceria em seu novo álbum, "Mata Virgem", em 1978. O disco também traz Paulo Coelho de volta, porém a má divulgação atrapalhou o LP e a crítica também não ajudou. Em 1979 Raul faz seu último álbum pela WEA, "Por Quem Os Sinos Dobram", em parceria com o amigo Oscar Rasmussen. Separa-se de Tânia e sai da gravadora levando sua secretária de imprensa, Angela Costa (mais conhecida como Kika Seixas), além de romper com seu antigo amigo da Philips e então presidente da WEA, André Midani, a quem acusa de escolher produtores inadequados para seus discos e de não ter divulgado suficientemente "Por Quem Os Sinos Dobram". Cresce aí sua reputação de "artista difícil" entre os executivos de gravadoras.



Raul assina novo contrato com a CBS e, em 1980, lança o LP "Abre-te Sésamo". O disco vende razoavelmente bem, mas menos do que merecia. Raul e Kika decidem morar em São Paulo e, com a ajuda de Jair Rodrigues, conseguem alugar uma casa no bairro do Brooklin, zona sul da cidade, onde nasce a terceira e última filha de Raul, Vivian, em 1981. São Paulo o recebe de braços abertos e, em junho de 1981, faz uma temporada de shows no Teatro Pixinguinha com sucesso absoluto. Nessa época é procurado pelo jovem Sylvio Passos, que o comunica da existência do "Raul Rock Club". Raul fica surpreso e participa daquele que ele mesmo chamaria de "Raul Seixas Oficial Fã-Clube". Ainda em 1981, rescinde o contrato com a CBS por pedirem que Raul dedique seu próximo álbum a Lady Diana, pois era o "assunto do momento".



Sem gravadora, mas com um público enorme e fiel, Raul apresenta-se para mais de 180 mil pessoas em 13 de fevereiro de 1982 no "Festival Música na Praia", em Santos, São Paulo. Mas Raul andava triste e insatisfeito e mergulhava cada vez mais na bebida, o que leva ao cancelamento de shows e internações devido a crises de pancreatite. Em 1982, apresentou-se tão bêbado em Caieras, interior de São Paulo, que o público não acreditou que ele fosse o próprio Raul Seixas. Foi chamado de impostor e preso pelo obtuso delegado da cidade.

Deprimido, com problemas de saúde e ainda sem gravadora, Raul, juntamente com Kika, desenvolve o projeto de uma ópera-rock chamade "Nuit" e saem de porta em porta. Vão em todas as gravadoras, mas nada acontece. Chegam ao cúmulo de ouvir de um certo diretor artístico: Já estou vacinado contra Raul Seixas. Magoado, Raul volta para o Rio de Janeiro e fica lá alguns meses em um apartamento em Copacabana. Até que João Lara Mesquita, jovem diretor do Estúdio Eldorado e fã incondicional de Raul, resolve realizar um velho sonho e convida seu ídolo para gravar um LP. Raul volta pra São Paulo e, em abril de 1983 lança o álbum "Raul Seixas". O disco traz uma faixa gravada ao vivo durante um show que Raul fez na Sociedade Esportiva Palmeiras.
Coloquei o nome do disco apenas de "Raul Seixas" porque quase todos os meus trabalhos são feitos dentro de um ponto de vista filosófico, algo como se fosse uma faixa única, com todas as faixas concebidas dentro de um certo prisma. Esta já é uma coleção de momentos diversos que não fogem ao meu estilo, mas também não fecham uma concepção filosófica. Assim, pensei que neste disco não tinha nada para guruzar.

Também em 1983, Raul participa do musical infantil da Rede Globo "Plunct-Plact-Zuuum" com a música "O Carimbador Maluco". Apesar de ser criticado e acusado de se vender ao "Sistema", os fãs perceberam que a música levava uma mensagem anarquista às crianças. O sucesso da música, que depois foi incluída no LP, deu a Raul seu segundo Disco de Ouro. Ainda em 1983 houve o lançamento do livro "As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor".
Já desligado do Estúdio Eldorado, Raul se explicou melhor sobre o LP lançado em 1983:
Aquele foi um disco que eu fiz numa fase difícil, não sabia nem o que dizer pra Imprensa. Eu não tinha nada, não tinha músicas, não tinha estrutura. Gosto de fazer trabalhos mais ricos e profundos, que atinjam vários setores culturais, que nem os Beatles faziam. Mas daquela vez só tinha mesmo uma coleção de canções, mais nada. E ainda por cima estava preocupado em fazer o comercial, o disco tinha que vender 80 mil, aquela coisa. Eu me sentia tão mal que foi só finalizar o LP e no dia seguinte já compus "Metrô Linha 743". Vomitei tudo de uma vez, estava atravessado na minha garganta.



Com o sucesso do disco e do livro lançados em 1983, Raul e Kika fazem uma viagem aos Estados Unidos para acompanhar de perto o que estava acontecendo musicalmente por lá. Voltam com muitas ideias e Raul assina contrato com a gravadora Som Livre e lança, em 1984, o LP "Metrô Linha 743".
A música é toda preto e branco. Tudo madeira, vozes, só o baixo e o juno são eletrônicos. Há anos sonhava em fazer um disco assim. O colorido aprisiona a imaginação. O preto e branco é mais forte e livre porque dá asas a cada um de projetar a sua imaginação, de criar o que você sente sem se prender ao óbvio das cores impostas pelo colorido do mundo.

Apesar da pouca criatividade das músicas do álbum (o disco traz duas regravações), comparado ao cenário musical da época, Raul ainda ganha de goleada dos Ritches e Blitzs da vida.

Pouco antes do lançamento de "Metrô Linha 743", o Estúdio Eldorado lançou o LP "Raul Seixas Ao Vivo - Único e Exclusivo" resultado do show que Raul Seixas fez na Sociedade Esportiva Palmeiras, em 1983, contando a história do rock através de músicas.
A Eldorado me atravessou, colocou nas lojas esse disco ao vivo exatamente quando estava chegando o "Metrô Linha 743". Acabei fazendo concorrência comigo mesmo.



O penúltimo casamento de Raul se rompe. Mas ele não consegue ficar sozinho. Sua nova companheira é Lena Coutinho. A saúde de Raul não anda boa. Mais uma vez ele volta a Salvador, como em 1978, para se recuperar. Em São Paulo, junto com Lena, Raul procura uma nova gravadora, mas as portas do mundo artístico parecem estar fechadas para o roqueiro. Enquanto isso, milhares de fãs e amigos de Raul permanecem na expectativa de novidades. Em São Paulo, no ano de 1985, o "Raul Rock Club" lança o álbum "Let Me Sing My Rock And Roll", o primeiro e talvez único disco produzido e distribuído independentemente por um fã-clube brasileiro.

Em 1986, Raul e Lena continuam à procura de uma gravadora e, com a ajuda de Sylvio Passos, Raul consegue assinar contrato com a gravadora Copacabana, onde grava seu próximo álbum. Porém os problemas de saúde atrapalhavam as sessões de estúdio e o LP, que todos esperavam para 1986, acaba sendo lançado só no início de 1987. O disco traz como título o grito de guerra do Rock'N' Roll: "Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!".
Eu fiz esse disco pros roqueiros ouvirem, para eles não deixarem o Rock'N Roll morrer...

O disco é executado de norte a sul do país, e mais uma vez Raul é notícia, ocupando lugar de destaque nas principais mídias do país. Sua música está na boca do povo. Apesar disso, Raul continua sumido dos palcos. A música"Cowboy Fora-da-Lei" estoura nas paradas de sucesso e é incluída na trilha sonora da novela das 7 da Rede Globo. O sucesso da música dá a Raul seu terceiro Disco de Ouro.



A convite do fã e amigo Marcelo Nova, então vocalista da banda "Camisa de Vênus", Raul participa da gravação do álbum que o grupo preparava para lançar, dividindo vocais e parceria com Marcelo Nova na música "Muita Estrela, Pouca Constelação", onde referem-se ao cenário pop brasileiro de maneira debochada.

No ano de 1988, mostrando que ainda está vivo, Raul lança o LP "A Pedra do Gênesis". O disco não faz o sucesso esperado. Raul separa-se de Lena e afunda-se na bebida e na depressão. É então que Marcelo Nova, para tirá-lo da depressão, convida-o para viajar para Salvador, onde iria se apresentar. Raul que estava afastado dos palcos desde 1985, aceita o convite e voa com o amigo para Salvador e ali iniciam juntos uma série de 50 shows pelos quatro cantos do país. A aventura acabou resultando no LP"A Panela do Diabo", lançado em 19 de agosto de 1989 e que deu o quarto Disco de Ouro da carreira de Raul Seixas.



morte;
Era uma manhã de sol do dia 21 de agosto de 1989, segunda-feira, nove horas. Dalva Borges da Silva, empregada de Raul, chega ao apartamento n° 1003 do Edifício Aliança, zona central de São Paulo, e encontra Raul Seixas morto sobre a cama. Dalva imediatamente comunica o médico e a família de Raul. A notícia se espalha e logo as emissoras de rádio e TV divulgam o fato e milhares de fãs, amigos e jornalistas dirigem-se ao prédio onde Raulzito residia. Raul Seixas havia falecido duas horas antes da chegada de Dalva ao apartamento, de parada cardíaca causada pela pancreatite de que sofria há uma década. O corpo é levado para o Palácio das Convenções do Anhembi e dali seguiu para Salvador, onde foi sepultado no Cemitério Jardim da Saudade.
Hoje fala-se muito de Raul Seixas, A grandeza de sua obra começa a receber a atenção que mereceu. O número de fãs aumenta a cada dia e obra de Raul Seixas, cada vez mais, parece ser eterna, pois suas músicas sempre serão atuais, por mais que o tempo passe.